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24 de jan. de 2021

Como Vernon Smith provou a Lei de Oferta e Demanda em laboratório

O modelo de equilíbrio entre oferta e demanda, tão amplamente aceito pelos economistas ortodoxos, realmente funciona na prática? Vernon Smith acreditava que não, até que em 1956, ele tentou fazer experiências em laboratório para ter certeza e os resultados o deixaram surpreso.

Os primeiros experimentos eram muito simples, ele deu a um grupo de estudantes, chamados de compradores, cartões que lhes diziam o valor que eles davam a um bem, o máximo que eles estariam dispostos a pagar pelo bem.

Ele então fez o mesmo para os vendedores, dando-lhes cartões que diziam seus custos, o preço mínimo pelo qual eles estariam dispostos a vender o bem.

Como Smith sabia os valores dos cartões que ele distribuiu, ele poderia calcular as curvas de oferta e demanda, além de prever o preço e a quantidade de equilíbrio. Então Smith deixou que os estudantes fizessem trocas em um leilão duplo em voz alta. Eles gritavam: "Eu vendo por $2!", "Eu compro por $1!" e assim por diante. Sempre que dois alunos concordassem com o negócio, o preço seria anunciado: "Vendido ao preço de $1,50!".

Se um vendedor com um cartão (que marcava o seu custo) de $0,75, por exemplo, aceitasse fechar negócio ao valor de $1 com um comprador que possuía um cartão de, por exemplo, $2,25 (o comprador poderia pagar qualquer valor abaixo desse), ele ganharia (em dinheiro de verdade) o valor pelo qual o negócio foi fechado ($1), menos o valor do seu cartão (que lembrando, representava seus custos), nesse caso, ele ganharia $0,25. Enquanto que o comprador ganharia o valor do seu cartão menos o valor ao qual a compra foi fechada, nesse caso, ele ganharia $1,25, que é o valor que ele conseguiu "economizar" em relação ao máximo que ele estava disposto a pagar.

Pagando os lucros com dinheiro de verdade, ele estimulava os estudantes a tomarem decisões da mesma forma que tomariam no mundo real.

E o que aconteceu? Os modelos teóricos de equilíbrio entre oferta e demanda diziam exatamente quantas vendas seriam feitas e por quais valores; e os resultados da experiência comprovaram as previsões com precisão surpreendente.

Por conta de seus experimentos, Vernon Smith se tornou pioneiro em economia experimental e ganhou o prêmio Nobel de economia de 2002.


Leia mais em:

Notícia de 2002 sobre o prêmio Nobel para Vernon Smith

Artigo em Espanhol sobre Vernon Smith

A vez em que um professor de exatas trollou uma revista acadêmica de humanas

O caso Sokal (ou escândalo Sokal) foi um escândalo ocorrido no meio acadêmico durante a segunda metade da década de 1990. O caso eclodiu em 1996, quando o físico Alan Sokal publicou um artigo-embuste na revista Social Text (publicada pela Duke University Press), publicação de estudos culturais até então conhecida por seu caráter “pós-moderno”.

Professor de Física na Universidade de Nova Iorque, Sokal submeteu o artigo à publicação como um experimento para ver se um jornal desse tipo iria “publicar um artigo generosamente temperado com nonsense se (a) o artigo soasse bem e (b) o artigo exaltasse as concepções ideológicas dos editores”.

O artigo, intitulado “Transgressing the Boundaries: Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity” (em português, “Transgredindo as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”), foi publicado na edição de “Guerras da Ciência” da Social Text e argumentava que a gravidade quântica seria uma construção social e linguística. Na época, a revista não contava com um processo de revisão por pares e não submeteu o artigo a revisores. Na época da publicação, Sokal anunciou em outra publicação que o artigo era uma fraude, qualificando-o como “um pasticho de jargões esquerdistas, referências aduladoras, citações pomposas e completo nonsense", tendo sido “estruturado em torno das citações mais tolas que eu pude encontrar sobre Matemática e Física” feitas por acadêmicos pós-modernos.

A ficção científica já havia previsto casos semelhantes. Um exemplo é a obra The Number of the Beast, de Robert A. Heinlein, em que o protagonista Zebadiah Carter obtém o doutorado mediante uma tese deliberadamente construída sem conteúdo.

A Holanda do século XVII e sua experiência pioneira com a liberdade

Na imagem: Emmanuel de Witte, Bolsa de Valores de Amsterdã, 1653

Vamos seguir o conselho dos esquerdistas e estudar um pouco de história? Gostaria de falar um pouco sobre o Século de Ouro Holandês que compreendeu o período entre 1584 e 1702. Um dos raros períodos da história da humanidade em que um povo desfrutou de relativa liberdade e por isso mesmo, é um dos meus favoritos.

Por volta de 1581, a Holanda se torna independente do império espanhol, fundando a República Unida dos Países Baixos e dando início ao período conhecido como o Século de Ouro Holandês. A República era uma confederação de 7 províncias que tinham seus próprios representantes e gozavam de grande autonomia. A República como um todo oferecia liberdade política, econômica, de pensamento e de religião sem precedentes na história ocidental. Essa liberdade atraiu refugiados de várias partes da Europa que ali encontraram asilo, principalmente intelectuais, cientistas e artistas, além de desenvolver o comércio e trazer grande prosperidade. Nos séculos XVII e XVIII, os neerlandeses eram um povo disciplinado, racional e criativo, que foi capaz de construir a nação Europeia economicamente mais rica e cientificamente mais avançada.

Durante uma grande parte do século XVII, os neerlandeses, tradicionalmente habilidosos navegadores e cartógrafos dominaram o comércio mundial. Primeiro, os neerlandeses dominaram o comércio entre países europeus, a região dos Países Baixos era favoravelmente posicionada entre as rotas de comércio do Leste-Oeste e do Norte-Sul e ligada à uma grande parte do interior alemão através do rio Reno. Comerciantes neerlandeses transportaram vinho da França e de Portugal para a região Báltica e retornaram com grãos destinados aos países do Mar Mediterrâneo.

Mas vivendo num país pequeno e de poucos recursos, os neerlandeses tiveram de ir mais além. Em 1602, a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais (VOC), a primeira multinacional da História, foi fundada. Mas nenhum cidadão da época possuía capital o suficiente para financiar sozinho, as ousadas aventuras marítimas da companhia. Pra isso foi fundada, no mesmo ano, a Bolsa de Valores de Amsterdã, com o objetivo de vender ações da companhia, a primeira na história a realizar esta prática, levantando assim o capital necessário.

O florescente comércio neerlandês resultou numa larga e rica classe comercial. A nova prosperidade trouxe mais atenção e patrocínio para as artes visuais, a literatura, e a ciência. Os navegadores neerlandeses também descobriram a Nova Zelândia, as ilhas Fiji e várias outras ilhas do pacífico. A descoberta do novo e o contato com culturas e povos exóticos, acabou com a complacência da sociedade neerlandesa e abriu a mente de seus cidadãos para novas ideias.

Em consequência de seu clima de tolerância intelectual, a República Neerlandesa atraiu cientistas e intelectuais de toda a Europa. Especialmente a renomada Universidade de Leiden tornou-se o lugar de reunião para estas pessoas, como o filósofo René Descartes, por exemplo, que viveu em Leiden de 1628 à 1649. Depois de ter problemas com a inquisição, Galileu escolheu os Países Baixos para realizar alguns de seus trabalhos científicos. Até mesmo John Locke, o pai do liberalismo, fugiu para os Países Baixos em 1683. O filósofo Baruch de Espinoza também viveu na Holanda dessa época.

O famoso engenheiro hidráulico neerlandês Jan Leeghwater (1575-1650) alcançou importantes vitórias na eterna luta dos Países Baixos contra o mar. Leeghwater adicionou uma considerável parte de terra à república, convertendo diversos grandes lagos em pôlderes através da drenagem das terras por moinhos de vento.

Christiaan Huygens (1629-1695) foi um famoso matemático, físico e astrônomo. Autor de uma frase bastante revolucionária para a época: "O mundo é meu país, a ciência é minha religião", ele inventou o relógio de pêndulo, que foi um grande passo à frente na medição exata do tempo, o que por sua vez era muito importante para as navegações. Entre suas contribuições à astronomia encontra-se a explicação dos anéis planetários de Saturno. Ele também contribuiu na área da ótica. O mais famoso cientista neerlandês na área da óptica é certamente Anton van Leeuwenhoek, que realizou grandes melhorias no microscópio e foi o primeiro a estudar metódicamente a vida microscópia, criando assim as fundações para a área de microbiologia. É provável que, para aprimorar este instrumento, ele tenha se inspirado nas lentes que os comerciantes usavam para verificar a qualidade das mercadorias.

Novamente, em consequência do clima de tolerância, a edição livreira floresceu. Diversos livros sobre religião, filosofia e ciência, considerados controversos em outros países, foram publicados nos Países Baixos e exportados ao exterior. Consequentemente, os Países Baixos tornaram-se cada vez mais a editora livreira da Europa no século XVII.

Todo este movimento em favor da razão, da ciência e do esclarecimento, deu origem ao que mais tarde seria o iluminismo e o clima de liberdade, tolerância e descentralização política inspirou o movimento pela independência dos Estados Unidos.

A região dos Países Baixos passou por um desenvolvimento cultural que superou o de países vizinhos. Enquanto ricos aristocratas por muitas vezes tornaram-se patrocinadores das artes em outros países, na República Neerlandesa esse lugar foi ocupado por ricos comerciantes.

Os mais famosos pintores do Século de Ouro são as figuras mais dominantes do período: Rembrandt, o mestre do gênero Johannes Vermeer, o inovador pintor paisagista Jacob van Ruisdael, e Frans Hals, que injetou nova vida no retratismo.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Século_de_Ouro_dos_Países_Baixos
https://en.wikipedia.org/wiki/Dutch_Republic
https://en.wikipedia.org/wiki/Politics_and_government_of_the_Netherlands_(1581–1795)
https://en.wikipedia.org/wiki/Act_of_Abjuration

23 de jan. de 2021

Um caso de fracasso do comunismo está na origem do Dia de Ação de Graças

Em 1620, um grupo de colonizadores europeus fugia da perseguição religiosa na Europa e ia em direção aos Estados Unidos. Eles fundaram uma colônia no Massachussets, onde eles poderiam não só praticar sua religião em paz, mas também fundar um novo tipo de sociedade, baseada na propriedade coletiva e no "altruismo", uma forma simples de comunismo.

O resultado dessa experiência social foi um desastre, conforme registrado por William Bradford, eleito governador da colônia e uma das mais tradicionais fontes sobre a origem desta data: As pessoas agiam de forma extremamente indolente, sabendo que, independente do quanto trabalhassem, receberiam o mesmo que as outras.

Como resultado, as colheitas foram péssimas e quando o inverno chegou, quase metade dos colonos morreu debilitada pela desnutrição.

Depois disso, eles acharam melhor dividir a terra em propriedades privadas nas quais cada familia trabalharia para prover seu próprio sustento.

No ano seguinte, a colheita foi abundante e os colonos fizeram uma grande festa para comemorar e agradecer a Deus pela fartura. A data passou a ser comemorada desde então e, séculos mais tarde, o presidente Abraham Lincoln a tornou feriado.


Leia mais detalhes da história em:

Matéria no site da TV americana PBS

Artigo sobre o assunto em inglês